domingo, 14 de janeiro de 2018

Dog Days Are Over

Trilha sonora do post:
Faz mais ou menos um mês que me formei oficialmente. Ainda me parece loucura pensar que, por um tempo que não sei determinar, acabaram os dias de sofrer com o trânsito de manhãzinha, de virar a noite tentando finalizar os trabalhos que eu já deveria ter feito, de comer as guloseimas que os alunos vendiam as escondidas e de vibrar ao saber que aquele professor mala faltou. Se você se formou recentemente provavelmente também está tentando entender como algo que parecia durar uma eternidade, terminou sem que sentíssemos de fato o passar do tempo. Foi como viver um período dentro de uma dimensão paralela onde os meses têm muitos dias a mais, e ao sair de lá, notar que na verdade só se passaram três anos (desculpe, comecei a assistir Rick and Morty). Anos esses que, embora poucos, foram suficiente para me mudar por dentro e por fora. Graças às pessoas, professores e aulas que tive, hoje a minha forma de pensar e ver o mundo é outra: mais ampla, mais real e muito menos fechada. Fico feliz ao perceber o quanto evolui de lá pra cá e como me tornei uma versão melhorada de mim mesma. Até meus gostos mudaram: comecei a consumir conteúdos que valem mais a pena, mudei a maneira de me vestir (sinto que encontrei meu verdadeiro estilo) e descobri que na verdade eu curtia meu cabelo de várias formas diferentes. Aliás, comecei a entender vários traços da minha personalidade. Bem, já deu pra ver, muita coisa rolou.
Hoje eu queria compartilhar um pouquinho do que foi o dia que deu inicio a um novo período da minha vida. O dia em que eu não chorei apesar de ter certeza que ia, que sofri com o calor da beca em uma tarde onde o sol não teve pena, que me despedi de professores incríveis e também de pessoas e situações que estou grata por nunca mais ter na minha vida. Aliás, essa é a segunda formatura que compartilho aqui no blog, se lembram dessa menina? (caraca, quanto tempo compartilhando momentos aqui!).
Eu também queria mostrar pra vocês o look que usei no dia. O vestido eu tive a sorte de conseguir emprestado com uma prima e acabou que ele era o que eu queria mesmo sem saber. Não faço ideia de qual loja ela o encontrou, mas o decote, as pedrinhas prateadas e a textura (que não vai dar pra ver) ganharam meu coração. O salto preto de veludo é da Vizzano e o escolhi mesmo não sendo muito adepta a sapatos abertos, acabei gostando muito. O ear cuff de cobra (vibes Tay Swift) e o anel são de alguma lojinha aleatória de bijus e achei que combinaram com a paleta de cores do vestido. Ah, e a make também seguiu esse caminho: preto, branco e prata (estou gritando ao mundo que eu mesma fiz).Espero que nesse 2018 eu tenha mais momentos especiais como esse para compartilhar com vocês. E agora que sei que boas recordações são atemporais, não se perdem e não se vão, mal posso esperar para colocar mais algumas na minha coleção.
Um beijo e até mais ♥

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Para começar oficialmente o novo ano

Hoje é dia 10 de janeiro de 2018. Sim, eu queria (e deveria) ter dado minhas boas-vindas ao ano assim que o champanhe foi estourado e o céu brilhou com fogos de artifício, mas para ser sincera, da contagem regressiva até esse exato momento, não me sentia em um novo ano. Eu poderia mentir e dizer aqui que isso tem algo a ver com a virada: a família já não se empolga como antes, as briguinhas entre algumas primas e tias pesam o ar e só fica em casa pra essa reunião quem não encontrou nenhum amigo para ir á praia. Tudo bem, eu não me importo com isso, deixei de acreditar que àquelas horas depois da meia noite determinam qual será o caminho que vem em seguida. Já fui mais sonhadora, mas tenho tomado pequenas doses de racionalidade a cada dia. Okay, alguns amigos e minha psicóloga não concordariam com isso: assim que me deitei na cama no primeiro dia desse mês, só conseguia pensar em como eu não fazia ideia de para onde estava indo. Droga! Logo eu, que amo ter tudo planejado. Bem, acho que encontramos o x da questão.
Nesses dez dias que se passaram eu assisti séries, andei sem rumo pela casa, fiz as tarefas domésticas inadiáveis e varri meu quarto algumas vezes só pelo simples prazer de me sentir mais útil. Eu também ouvi minha mãe falar mais em um possível trabalho meu do que no cursinho que preciso fazer pra entrar na faculdade, chorei um pouco em frente a esse computador, senti uma falta exagerada e assustadora dos meus amigos (cogitei ter sido trocada e esquecida) e uma euforia desnecessária quando marcamos de sair. Eu sei que isso tem muito a ver com minha ansiedade e depressão leve, porém insistente, e acredite, é difícil pra mim admitir sentimentos que me parecessem tão idiotas, até porque prometi a mim mesma que 2018 seria um capitulo de independência e força na minha vida, mas desisti de fingir que essas não são coisas que fazem parte de mim atualmente e aceitei que preciso aprender a lidar com elas. Aliás, esse será provavelmente o ano de "aprender a lidar".
Ter terminado o ensino médio talvez seja um processo estranho para quase todo mundo (desconsidere as garotas de nariz em pé que sabiam desde a maternidade o que queriam fazer). Antes de pegar meu diploma o coração já apertava; medo de me afastar dos amigos, de não conseguir emprego, de ser um peso em casa e de gastar um dinheiro que não tenho em um cursinho que talvez não me ajude de verdade. Medo de não aguentar o peso de todas as coisas que virão em seguida. É como se agora, todos os sonhos que viemos cultivando ao longo dos anos batessem na nossa porta e perguntassem quando é que vai rolar. As viagens, os cursos, os amores, o apê que todo adolescente quer pra morar sozinho, todos ali no quarto ao lado e ao mesmo tempo em um outro universo. Não deviam ter nos ensinado que a vida de verdade vem depois da escola, que pressão desnecessária! Acho agora que esse é o responsável por ter me travado nos últimos dias: o pensamento de que não me arriscar é o necessário para evitar a frustração de fracassar. Ah, o receio das próprias decisões...
Vi um vídeo da Jout Jout ontem e em determinado ponto ela falava justamente sobre a espera eterna de que algo aconteça para outra coisa ser iniciada. É a prima que tá louca pra casar e ver a vida começar de verdade, é o pessoal que não vê a hora de ganhar o dinheiro próprio para finalmente se sentir adulto e é todo jovem que acha que os 18 trarão o melhor que o mundo tem a oferecer. Mas a verdade meu amigo, você sabe: a vida tá rolando nesse exato momento, enquanto você espera aquela ligação importante. Eu não quero mais desperdiçar tempo temendo as coisas que posso perder e esquecendo as que posso ganhar. Não preciso gastar mais dez dias com uma procrastinação que me impede de tocar qualquer projeto para frente e começar de fato esse ano. Sei que esse ciclo vai ser uma fase de adaptação, de não ver mais meus amigos com tanta frequência, de dar mais atenção aos meus estudos do que ao lazer, de correr sozinha atrás do que sonho e de abrir mão de coisas que gosto para alcançar objetivos importantes, mas nesse instante eu sei que aguento. É, pela primeira vez na vida, um ano verdadeiramente novo. Sem uniformes, alguém pra fazer minhas escolhas e me indicar a direção correta. 2018 será sobre quem eu sou por conta própria, e isso soa assustador, mas também empolgante.
Sabe, o dia hoje está lindo, aparentemente as nuvens que cobriam o céu de SP estão indo embora e espero que não voltem tão cedo porque janeiro é tempo de sol. Acordei disposta hoje e sinto o coração bater mais rápido pela vontade de fazer tudo o que quero fazer no momento. Me lembrei de uma frase que o Ted diz em How I Met Your Mother e acho que já passou da hora de nós todos á aplicarmos em nossas vidas: "se você não está com medo, você não está se arriscando e, se você não está se arriscando, então o que diabos você está fazendo?".
Acho que nesse tempo todo eu temi as coisas erradas.
Pode começar oficialmente 2018! Seja bem-vindo.

sábado, 6 de janeiro de 2018

Os 17 posts mais legais de 2017

Sei que tô meio atrasada pra esse tipo de post, mas como já é quase tradição minha fazer uma listinha com os melhores do ano pensei que não deveria deixar passar em branco 2017 (aliás, talvez você tenha percebido que esse blog anda muito nostálgico ultimamente hehe). Sei que no último ano não estive muito presente aqui (não como gostaria), mas mesmo assim consegui compartilhar no GI alguns momentos muito especiais e importantes pra mim, e contar minhas histórias nesse espaço continua sendo uma das minhas coisas preferidas no mundo ♥ Mas bem, sem muita enrolação, o critério para estar nos posts mais legais do blog continua sendo o mesmo: nessa lista estão as 17 postagens que eu mais gostei de escrever (aquelas guardadas no coração sabe?) e acho que se você chegou agora, deveria conhecer o GI através delas!

sábado, 30 de dezembro de 2017

Apesar de tudo, obrigado 2017

Sabe aqueles videos que você vai acumulando no celular? Dos dias em que sai com seus amigos, da risada, conversa besteira (as vezes faz besteira) e por algum motivo vocês se empolgam demais e decidem gravar aquilo tudo? Percebi agora nesse finalzinho de ano que minha galeria é lotada desses registros e, notei também, que em todos eles estou com pessoas que amo mais do que qualquer coisa nesse mundo (as grandes responsáveis por salvarem meu 2017). Alguns videos são de momentos muito bobos e simples: pedágio da escola, idas ao Villa Lobos (caramba, como fui lá esse ano) e festinhas de 18 anos haha; mas não preciso me esforçar muito para lembrar de como esses dias foram divertidos e únicos ♥ Resolvi então dar um destino a essas imagens. Juntei em vídeo alguns momentos desse ano e criei uma espécie de retrospectiva. Nele vocês não encontram nem um terço do que foi meu ano, refletindo agora, me aconteceram mais coisas do que posso contar; mas vão ver um pouquinho do que foi mais legal. Essa é minha forma de agradecer o que foi bom e me despedir de 2017.

Já peço desculpas pelos erros de edição que cometi (ah, eu não sou dessa área vai) e pela qualidade de imagem, já que o Vimeo sempre consegue dar aquela arrasada (no sentido ruim da coisa). Enfim, espero que gostem!
Retrospectiva 2017 - GI ♥ from Paloma on Vimeo.

A música que usei se chama Wings da Haerts e é uma das melhores coisas que já descobri.

Um beijão e até breve ♥

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

As 7 coisas mais legais de 2017

eu mesma sobre o fim de 2017 
Hoje é 29 de dezembro e me soa extremamente surreal ouvir que em dois dias estaremos em outro ano. Já viveram momentos em que seu cérebro não se conecta com o tempo? Volta e meia esse fenômeno, que se tem nome eu desconheço, acontece comigo e estou passando por isso agora mesmo. Pensar na minha vida em 2018 parece muito distante, mesmo com a contagem regressiva quase já sendo feita e, eu não sei vocês, mas isso me apavora um pouco. Não fiz minha listinha de objetivos e não tracei planos ainda, o que faz de mim alguém muito despreparada, mesmo com algumas coisas em mente (como se eu já não fosse perdida o suficiente). Tenho mil e um medos que vão me encarar assim que os calendários forem trocados e mil e uma responsabilidades que sinto que podem ser demais pra mim (ansiedade que chama né?) mas, ironicamente e apesar de todo o pavor, estou animada. Enquanto escrevo aqui percebo que 2017 aprontou tanto comigo que é como se o próximo ano não fosse páreo hehe. Sem brincadeira ou exagero, passei por muitas coisas que me permitiram classificar esse ano como o pior da minha vida, e até já compartilhei um pouco disso aqui, através de alguns textos; mas o objetivo hoje não é retomar assuntos que daqui a pouquinho serão passado, muito pelo contrário, quero é ressaltar o que me aconteceu de bom.

2017 trouxe momentos terríveis em que o tempo parecia não passar e neles eu acreditei que não ia dar para salvar nada desse ano mas, agora eu sei, essa história não existe. Tem sempre um momento especial e inesperado que merece ser relembrado, uma boa história e um aprendizado que saiu de algo ruim. Sempre haverão coisas para colocar na nossa bagagem, basta saber enxergar; nesse post eu quero compartilhar um pouco do que foi mais legal na bagunça de 2017, mas especificamente, as 7 melhores coisas.
1 - Me formei:
Isso pode parecer besteira pra você que também acabou de sair do terceirão e agora só consegue se lembrar das risadas que dava com os amigos, mas durante os meus três anos de ensino médio integrado ao técnico de Publicidade, não existiu vontade maior do que a de abandonar aquilo tudo. Foram professores, alunos, amizades tóxicas e (alguns) trabalhos totalmente desnecessários que me tornaram uma pessoa muito ansiosa e estressada, mas olha só, eu sobrevivi. Sobrevivi as 18 matérias de todo ano, as pós-aulas e ao trânsito de lei entre minha casa e a escola. Sei que todo mundo diz que daqui pra frente só piora, mas estou feliz e orgulhosa por não ter abandonado algo que muita gente deixa na metade do caminho. Tô saindo do ensino médio mais forte e com muita gratidão por todo o aprendizado que, aliás, vai muito além das aulas de matemática.
2 - Fiz uma visita (cheia de amor) a um orfanato:
Nunca falei sobre isso aqui no blog mas no começo do ano uma professora minha organizou uma visita até o orfanato de uma cidade próxima e eu participei. Foi uma das coisas mais lindas que já vivenciei e fico feliz por poder ter feito parte daquilo! Nós levamos presentes, organizamos brincadeiras e conversamos muito naquele dia. Lá eu aprendi o valor do afeto e como o amor, ou a falta dele, molda quem somos. Também percebi que sim, fazer o bem é a missão de todos aqui na terra e poderíamos salvar uns ao outros se praticássemos isso sempre.
*obviamente não pude tirar fotos por lá.
3 - Vi o mar pela primeira vez:
Outra coisa que pode soar como bobagem pra você, mas pra mim foi importante. Eu, que sempre acreditei colecionar lugares, vi aquela imensidão azul pela primeira vez só esse ano e agora quero voltar a vê-la muitas outras vezes ♥ Espero poder faz isso em 2018, além de riscar mais várias coisas lindas (que precisam ser vistas) da minha lista.
apesar da cara fechada eu estava muito feliz nesse carnaval hehe
4 - Comemorei o Carnaval
Eu sempre fui aquela pessoa que fecha a cara no carnaval, acha tudo uma besteira sem tamanho e gosta mesmo é dos dias livres para ficar em casa e descansar, mas agora eu indico a todo mundo que vá, ao menos uma vez na vida, em um bloquinho de carnaval. E calma que tem para todos os gostos, e eles vão desde os mais tranquilos em cidades pequenas até os LGBT'S maravilhosos (como o que eu fui) com muito pop e gente divertida. Recomendo de verdade que vocês conheçam algum bloquinho gay, a experiência que tive foi maravilhosa, sem assédio ou momentos desconfortáveis.
5 - Tirei o aparelho:
Ok, essa é besteira, mas tô MUITO feliz por ter me livrado do aparelho odontológico mês passado. Apesar de ter me acostumado a ele, nunca conseguia me esquecer daquele metal que às vezes me permitia só comer miojo e me fazia não querer sorrir pras fotos (da pra conferir isso no meu ig). Nunca tive problemas de autoestima nem nada, mas me sinto muito mais bonita agora! :)
6 - Ganhei uma festa surpresa de 18 anos:
Por sorte, eu tenho algumas das melhores pessoas desse mundo ao meu lado. Amizades de longa data que me orgulho de ter, e que vejo que poucas pessoas ao meu redor tem. Esse ano fui surpreendida com uma comemoração surpresa, organizada por eles, em um dos meus lugares preferidos, e tudo estava tão lindo ♥ Meu aniversário não poderia ter tido mais a minha cara! Da até um calorzinho no coração quando pensamos em pessoas que se importam tanto com a gente né?
7 - Fiz parte de um TCC foda:
Já expliquei algumas vezes que no último ano do ensino integrado os alunos precisam apresentar um trabalho de conclusão como o da faculdade e nós, de Publicidade, devemos criar uma campanha completa para um produto de nossa escolha. Cara, não tenho palavras para descrever o quão sortuda sou por ter feito parte de uma equipe tão dedicada e talentosa. Nós não surtamos uns com os outros e conseguimos trabalhar perfeitamente juntos, sempre nos mantendo interessados e dando um duro do caramba; e isso é muito raro, poucos são os grupos que conseguiram se manter em harmonia até o fim. Ah, e o nosso resultado não poderia ter sido melhor: um 10 para o trabalho :)
E vocês? O que vivenciaram de melhor em 2017? Me conta aqui nos comentários!
Espero que tenham gostado do post. Um beijão e até breve ♥

domingo, 24 de dezembro de 2017

Tudo o que eu tenho

Meus olhos varreram a cerimônia de formatura procurando por você, não te encontraram. É quase que automático, como eu fazia no pátio da escola, nos meses que seguiram depois que fui embora. Não, eu não me orgulho disso, mas também deixei a culpa de lado. É como um modo de defesa que está sempre ligado, pronto pra quando você tentar me machucar de novo, mesmo sabendo que isso não vai acontecer. Ali naquela hora, usando uma beca que me fazia odiar o calor dos dias ensolarados que geralmente amo e tendo que abraçar todo um pessoal, não me demorei no porque de a senhorita ter resolvido não ir ao que era o fim tão aguardado por todo mundo. O fim de um capítulo tão pesado pra mim e o fim de só mais uma página medíocre na sua vida. Bem, pensando sobre o assunto agora, consigo até te ver  revirando os olhos e dizendo, com um tom piorado da sua voz já amarga, o quão tudo aquilo é bobo. Vai parecer loucura, mas te entendo! Você não tem ninguém para dividir esses ritos de passagem, fazer promessas impossíveis, tirar fotos e compartilhá-las no facebook com aqueles textos enormes e bregas... Droga, analisando melhor, acho que você só não tem ninguém mesmo. 

Eu queria não estar em frente a esse computador agora, escrevendo sobre você no que parece ser o inicio de um dia lindo e muito promissor. A correria dos preparativos para o natal começou (daqui a pouco a cozinha se enche de cheiro de chocolate), vou visitar umas amizades antigas mais tarde e encontro minhas melhores amigas amanhã no centro da cidade (nós duas já fomos juntas até lá tantas vezes né?). Parece não haver mais sentidelao em digitar essas palavras, eu temo que elas me engulam ao invés de me libertar, mas ainda acredito que essa é minha melhor terapia. De qualquer forma, sou grata por elas, pois tenho um lugar saudável e aconchegante onde me refugiar em momentos como esse, momentos em que a sua voz ecoa, baixinha, no fundo da minha mente; mas você também tem suas próprias formas de escapar do caos, né? Aliás, muito mais eficazes e instantâneas do que qualquer hobbie meu. Elas até tem um preço mais barato que meus livros. Você as encontra em mercadinhos de esquina dentro de uma garrafa, ou no ingresso de uma festa que se parece com todas as outras. 

Admito, com felicidade, que já doeu muito mais. Em algumas manhãs aleatórias ou fins de tarde deprimentes, as coisas mais cruéis que você já me disse ainda retornam e meu coração aperta, de raiva e não de tristeza. Raiva porque passei muito tempo sem saber que era seu brinquedo preferido. Não tentei nadar até a superfície e deixei que sua mão, agarrada ao meu tornozelo, me arrastasse até o fundo do que parecia ser o mar. Mas isso já não é algo tão frequente. Estou me curando, não é maravilhoso? Bem, talvez não pra você, mas pra mim sim; pra minha mãe que sofreu junto comigo e com o drama em que você me colocou, mesmo sem saber direito do que se tratava, também. Mas eu tenho um segredo, uma espécie de pilar no qual me apoio quando sinto que o ódio esta tentando criar raízes dentro de mim, se eu te contar, talvez ele salve o seu coração também. Me escute, de uma pausa nas fofocas maldosas e preste atenção: quando sinto que vou surtar, penso em todas as coisas que tenho. Isso mesmo! Meio criança mimada, meio "eu tenho e você não". Será que isso me faz um ser humano detestável? Ah... Qual é? Duvido que consiga chegar ao seu nível (parabéns, ainda consegue ganhar de mim em algo).

Nos dias ruins eu penso na minha mãe, cozinhando purê de batata com queijo, só porque sabe que é o meu preferido. Também lembro das mensagens de "eu te amo" inesperadas que volta e meia chegam no meu celular, porque meus amigos não precisam de uma data especial ou acontecimento para dizer isso (aliás, você ficaria surpresa com como nós falamos o que precisa ser dito na cara, sem esperar que alguém vire as costas). Eu lembro dos recitais de ballet que volta e meia assisto, porque é importante para minha melhor amiga. E penso nas paredes rosa do meu quarto, nos desenhos feitos pela minha irmã que o decoram e nos livros espalhados por ele (ainda tenho que ler tantos). Ah, eu também tenho as palavras, este blog, minha vontade de contar histórias e todos os lugares que pretendo conhecer. Não posso esquecer de uma lista enorme de sonhos e uma dedicação e esforço do cara*** que tenho para realizá-los. Esqueci de explicar, sobre esses últimos, são coisas que exigem paciência e cansaço, então acredito que você não deve conhecê-los. 

Loucura eu ser grata até por a cadeira azul claro que agora fica no meu home office, mas é uma coisa minha essa mania besta de agradecer coisas pequenas que me fazem sentir rica. São elas que me completam e me fazem não ter que reduzir ninguém para ser feliz comigo mesma, como você faz. Olha, eu não sei o que você tem, mas garanto que seus tesouros são diferentes dos meus, até porque (felizmente) ainda não possuo umas poucas companhias que ironicamente só estão lá na hora de beber e dar risada. Também não é um hobbie meu julgar tudo/todos nas minhas horas livres, porque alguém gastaria tempo com algo tão sem conteúdo? Sem contar estes teus dramas familiares, os meus eu reverto em coisas positivas, os teus te consomem. Cara, você é tão fazia que pode ser atravessada por qualquer coisa ruim e, agora, eu transbordo histórias doces.

Desculpe, nunca fui de me gabar, mas quando se trata de você até que é divertido. 

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

8 coisas que aprendi aos 18 anos

Esse ano, devido a uma série de fatores, não consegui escrever um textinho de aniversário, o que é quase uma tradição pessoal minha. Mas, agora que já estamos no fim de 2017 e acontece, querendo ou não, todo aquele balanço interno, percebo que os 18 anos trouxeram consigo alguns aprendizados valiosos que me fizeram crescer de verdade. Eu poderia esperar minhas 19 primaveras para compartilhar com vocês tudo o que me aconteceu (e talvez completar uma lista com 18 lições) mas levando em consideração meu contexto atual, sinto que preciso contar isso agora! Então entendam esse post como uma espécie de comemoração atrasada ok?
1 - Só nós mesmos podemos nos salvar:

Essa foi, sem a menor dúvida, a lição mais importante que aprendi esse ano, e espero que ela me acompanhe pelo resto da vida. Em 2017 eu passei por coisas que nunca acreditei que iria viver, momentos realmente pesados que me fizeram ir, progressivamente, perdendo a fé na vida. É estranho dizer isso agora que me sinto bem e já sem nenhuma dor, mas frequentes crises de ansiedade e o início de uma depressão me fizeram criar uma perspectiva muito sem graça do mundo. Eu sumi aqui do blog, abri mão das coisas que gostava em troco de nada e acreditei, cegamente, que só o que me restava era aguentar pessoas e situações que me deixavam mal. Pedi a Deus inúmeras vezes que me mandasse alguém para aliviar o que eu sentia mas, na real, ninguém sabe arrumar tão bem a nossa bagunça quanto nós mesmos. Entendi, bem na semana em que faria 18, que só eu poderia me salvar. Daí em diante tudo caminhou pra frente, eu afastei quem e o que me fazia mal e lutei por mim mesma e pela minha felicidade. Se essa sensação de virar o jogo não é a melhor que existe, não faço ideia de qual seja. 

2 - Geralmente nós sabemos de onde vem o bem e o mal:

Ainda sobre os transtornos que me acompanharam por alguns meses desse ano, eu posso afirmar que foram, em sua maior parte, causados por pessoas absolutamente tóxicas. Agora que essa história toda está mais distante, vejo claramente que sempre soube que os sentimentos ruins que sentia eram causados por elas. Sei agora que muitas vezes nós fechamos os olhos para aqueles que nos fazem mal, sei também que é difícil acreditar que alguém de quem se gosta tem prazer em ver nossa infelicidade, mas isso acontece. Talvez, a maior parte do motivo que nos leva a relevar/tolerar/minimizar situações e pessoas que nos reduzem seja o medo de "sobrar". Maior que o medo de ficar sozinho, é o medo do que os outros vão pensar ao te ver sozinho, não é? Eu e todo ser humano tem esse receio bizarro dentro de si, mas no fim das contas, é besteira. Não vale a pena sacrificar sua saúde mental para ter a companhia de alguém pequeno e muito menos fazer a cega para aquilo que te deprime. Pense bem... Acho que você sabe exatamente de onde vem o bem e o mal na sua vida, o lado que você escolher te abraça, com qual você fica?

3 - As pessoas não são a imagem que temos delas:

Troquei de sala esse ano (você vê aqui que um tópico completa o outro) e me apavorou o fato de ter que me adaptar a outro meio. Senti o frio na barriga do primeiro dia de aula no segundo semestre e odiei a ideia de ter que me acostumar com o jeito de novas pessoas. Eu acreditava, realmente, que muita gente na classe nova não ia ser legal comigo devido a imagem que criei delas na minha mente. Sabe os burburinhos que você sempre ouve? Sobre fulano ser arrogante, briguento ou algo do gênero. Percebi que eles não são verdade até que você mesmo os comprove. Acabei me surpreendendo com muita gente e comecei a gostar de pessoas que nunca imaginei que gostaria. Em contrapartida, também percebi que um pessoal que eu chamava de amigo nunca foi tão legal assim.
4 - É difícil se abrir para o novo, mas é necessário:

Parece óbvio, mas a verdade é que a coragem necessária para se abrir completamente para o desconhecido é coisa pra poucos. Infelizmente, viver na nossa caixinha é muito mais aconchegante do que tentar sair dela. Mas, aos 18 anos, eu percebi que a vida só segue o seu percurso se a gente encarar o novo, caso contrário nós ficamos empacados ali na curva familiar de sempre. Aí vai uma dica valiosa para 2018: se abra para pessoas, lugares, sonhos e até gostos novos. Troque tudo aquilo que não te completa por algo que poderia completar. Esse "ia" no fim das palavras é incerto e assustador, mas só com ele nós descobrimos o que acontece depois.

5 - Tão importante quanto seguir as regras é quebrá-las as vezes:

As melhores histórias desse ano, as noites mais divertidas e os momentos mais engraçados, não teriam acontecido se eu me policiasse o tempo todo. Nós julgamos muito e seguimos regras que na verdade ninguém inventou mas, volta e meia, é melhor deixar isso tudo de lado. Talvez você tenha ouvido em algum lugar que certas coisas não devem ser feitas e isso pode ter parecido verdade absoluta, mas algumas "normas" merecem uma exceção. Abra mão dos seus preconceitos e se divirta! 

6 - Seus pais nem sempre serão seus amigos, as vezes eles serão só seus pais:

Isso foi difícil de aprender mas, depois de muito me magoar, consegui aceitar que nem sempre os nossos pais vão entender o nosso lado. Eu sei que parece coisa de adolescente que gosta de dar uma de incompreendido, mas a verdade é que muitas vezes eles não nos entendem mesmo e isso é totalmente compreensível. Deixei de cobrar da minha mãe a postura de uma melhor amiga. Ela tem mais responsabilidades, mais preocupações e mais idade do que eu, além da função foda de criar duas filhas, o que é algo que talvez eu nunca entenda completamente o peso. São perspectivas de vida diferentes o que nos faz ter opiniões divergentes. É claro que muitas das coisas que ela me dirá soarão totalmente sem sentido (algumas delas de fato serão), mas isso será apenas ela no seu papel de mãe e tudo bem. 
7 - O efeito bumerangue existe sim:

É bizarro, talvez você não consiga enxergar, mas acontece. Absolutamente tudo aquilo que jogamos no mundo retorna para nós mesmos, então é importante tomar cuidado com os sentimentos que cultivamos e nossas ações/hábitos diários. Sei que é muito clichê, parece coisa que a nossa avó nos diria, mas não é bom esquecer. Tenho visto muita gente que me fez mal esse ano pagando por isso, o que me fez comprovar e me surpreender com essa teoria. Acredito que todo mundo tem o bem e o mal dentro de si, mas temos controle sobre qual deles sai de nós em maior proporção; o que sai e vai embora, uma hora ou outra volta, não é?

8 - Volta e meia realmente não haverá nada que possa ser feito:

Já essa foi a verdade mais dura que encarei esse ano. Garanto para vocês que na grande maioria das vezes existe sim uma solução, mas uma pequena porcentagem dos nossos problemas é meio que uma incógnita. Talvez exista uma resposta, talvez não. E no meio dessa incerteza, tudo o que nos resta é ser forte. A gente se agarra ao travesseiro, chora e depois dorme, porque não exite muito o que possa ser feito além de esperar o dia seguinte e torcer pra que este seja melhor. Eu sei que o ser humano acredita que tem o controle sobre tudo, mas a história não é bem assim. 

Bônus - No fim tudo da certo, e se não deu ainda não é o fim:

Eu ouvi essa frase quando era pequenininha, em algum programa bem irrelevante, e nunca me esqueci. Só hoje ela faz, de fato, sentido pra mim. Eu não sei quem é você que está lendo agora e nem o que te levou a vir até o fim dessa lista, mas saiba que se você sente que ainda existem muitas questões a serem resolvidas na sua história, ela não chegou no ponto final. A história só acaba quando você estiver feliz e sua vida não se resume a um problema. Você não é as coisas ruins que te aconteceram ok? Ainda existem um monte de capítulos para serem escritos e reviravoltas de tirar fôlego. Seja paciente e siga em frente. 

Me conta um aprendizado importante que seu aniversário lhe trouxe! Te garanto que vai me ser útil :)